Sinto-me contente quando conheço algumas pessoas. Mas depois de meia-volta, não tê-las conhecido, quem sabe, seria melhor.
Não as pessoas nobres – é evidente -, mas as que não entendem de nobreza. Justamente aquelas que jamais a reconheceriam se a vissem. E percebi que a nobreza reside exatamente na simplicidade de viver. Viver a puro pão que o diabo amassou. Seja pão de dor ou de amor. Mas amassado até a ultima migalha.
Eu me canso das pessoas. Com freqüência. Todo dia pra ser exata. Me canso quando a novidade acaba e elas não ligam. São só em ser. Sem brilho nenhum. Presas a idéias pragmáticas e velhas, como elas.
Talvez por isso eu goste tanto de você. Porque eu gosto demais de você. Demais no sentido de muito, de bastante mesmo. Na minha fala de você, sempre existe uma ponta imensa de orgulho. E nas entrelinhas não há segredo em perceber a minha satisfação em conhecê-la. Em querê-la demasiadamente bem. A qualquer custo.
Eu queria, pra mim, uma vida nova. Ou só cor nova a essa vida. Mas acabei me amarrando a determinadas coisas. Bem como você, ou não? Somos daquelas que passam, num instante, a sustentar cansaço quando temos que andar todo santo – ou herege – dia pela mesma rua. Eu quero o mundo.
E gosto de falar sobre querer o mundo com você, mas não sei porque.
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Ainda há pouco disse pra Fernanda que, com ela, eu dividiria a vida – e seria feliz. Não sei, acho que não vou encontrar ninguém que tenha o tamanho dela. E não é nem que ela seja grande – pra que fique claro essa grandeza. É enorme. É linda. É tão ela que me arrepia.
Vive as coisas com um desespero que de quem tem sempre sede. De quem sempre é fiel ao que sente, ao que quer. Embora nem sempre ela saiba o que quer. Mas mesmo à confusão ela dá-se. E isso é para os bons. Ela enfrenta como se amanhã não existisse e de fato, pra ela, amanhã é só uma possibilidade. O hoje a absorve como o dia ao crepúsculo. E todo dia ela renasce. Com nova sede, novo ânimo, novo sorriso e novas expectativas. Cansáveis vezes pra ter tudo e nada. Mas ter, de alguma forma, tudo o que lhe vale. E não custa nada. E não sobra nada, e não passa nada.
Ela pega pela mão todos os que aparecem com um sorriso e dá um sorriso a todas as carrancas. E no fim, todos a olham com doçura. Mesmo quando ela se faz um furacão indomável. Mesmo quando ela faz de um pequeno amor um tormento e de uma sutil amizade uma eternidade, mesmo assim, ela suga até as raízes e depois disso, amá-la é quase que involuntário. Porque o contrario disso, quer dizer, não amá-la, deveria, a partir de agora, ser oficialmente um crime de teor irreparável.
A melhor indicação que eu posso dar na vida: Fernanda. Por sua grandeza, postura, sinceridade e pelo sorriso, claro.
Tantas vezes foi o sorriso sem intenção dela que melhorou meu dia, e depois de um tempo a semana e agora, muda minha vida. Sem mencionar abraço – que não merece minha descrição pequena.
Eu descreveria a Fernanda como a um samba. Daqueles felizes. Daqueles que transformam a atmosfera ao redor. Daqueles que fazem as pessoas se olharem com intenção de afeto, com desejo de flores. A minha, particularmente, transformou-se no exato momento em que nos sentamos uma do lado da outra. E depois disso, as mãos se deram e nada mais pode desfazer isso.
Eu seguraria as pontas pra ela. Seguraria o elevador, a cabeça e o riso – caso fosse necessário. Enfrentaria um engarrafamento em São Paulo, enfrentaria um impertinente, enfrentaria o mundo, enfrentaria um choro. Eu me manteria ao seu lado quando doesse, quando risse, quando caísse e quando mais ela quisesse.
Ter um amigo é uma benção. Ter a Fernanda transcende.
* o texto foi um e-mail que mandei pra ela numa tentativa desesperada de solidariedade. E ainda que não fosse solidariedade, seria ouvir. Ainda que não fosse ouvir, seria atenção. Ainda que não fosse atenção seria interesse. Ainda que não fosse interesse e não fosse nada – seria a Fernanda. Isso me basta.
